Câmara Municipal de Beja

Mombeja


A Aldeia

 

Mombeja

 

População

386

 

Actividades económicas

Agricultura, queijos de Serpa e serviços 

 

Festas e Romarias

Santa Susana (móvel, Agosto ou Setembro) 

 

Património

Igreja paroquial e capela de Santa Susana 

 

Outros Locais

Paisagem alentejana 

 

Gastronomia

Açorda, migas, ensopado de borrego e vinagrada

 

Artesanato

Colheres de pau, cestas em fitas plásticas, trabalhos em madeira e azeitoneiras 

 

Colectividades

Grupo Desportivo e Cultural de Mombeja, Associação de Solidariedade Mombejense e Associação Juvenil e Cultural de Mombeja 

 

Orago

Santa Susana

 

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História

Situada numa elevação, em terreno fértil, no extremo oeste do concelho de Beja, e confinando com o de Ferreira do Alentejo, esta freguesia dista da sede concelhia cerca de 15 km. 

 

Com um núcleo populacional da ordem dos 454 habitantes, Mombeja já é referida, no Dicionário Corográfico oitocentista de Américo Costa, como sendo composta pelos seguintes lugares: Estocados, Montinho, Montinho Novo e Quintinha. E ainda dos casais: Arneiro, Circo, Charnequinha, Monte da Moça, Monte da Vinha, Monte do Bortameira, Monte do Coelheiro, Monte do Penedo, Monte do Selão, Monte do Velarinho, Murteiro, Corte da Negra, Oliveirinha e Tição. Nessa centúria, e em termos demográficos, o núcleo populacional de Mombeja registou uma extraordinária evolução, já que, entre os anos de 1862 e 1930, passou de 408 para 842 habitantes.

 

Este povoado remonta a épocas muito antigas. À semelhança de Beringel, é muito rico em achados da Idade do Bronze, sobressaindo nestes as cistas (vasos funerários) com cerâmica de tipo argárico, cobertas por lajes com armas insculturadas. Nessa época, este povoado mostra indícios de ter sido um núcleo castrejo, posteriormente romanizado, tal como se verificara noutros locais nas imediações da freguesia. É de salientar que a freguesia de Mombeja se enquadra numa região onde a antiga Pax Julia, sede de um convento jurídico da Lusitânia, impunha uma forte supremacia administrativa e económica, que se conservara durante os domínios visigótico e árabe. A cultura de Mombeja e a de toda a área que a envolve, não se pode desligar da de Pax Júlia, marco histórico de inquestionável valor, territórios que se sustentavam nas denominadas vilas rústicas, aglomerados que se tornaram em muitos dos casais que hoje as compõem.

 

A padroeira escolhida pela freguesia, Santa Susana, era romana. Uma donzela, muito distinta, que resolveu "nunca tomar outro espôso além de Jesus Cristo". Vivendo no tempo do imperador Diocleciano, que nos primeiros anos do seu reinado parecia favorável ao cristianismo, foi martirizada por recusar casar-se com o viúvo genro do imperador Diocleciano. O seu corpo foi sepultado numa gruta que tomou o nome de cova dos mártires, e a sua casa foi convertida em igreja pelo Papa Caio, que celebrou nela o Santo Sacrifício em honra da mesma santa. Reedificou-se mais tarde esta igreja, a qual ainda hoje subsiste, e da qual têm posse freiras cistercienses. 

 

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Antiga freguesia de Santa Susana de Mombeja foi curato da apresentação do arcebispo de Évora no termo de Beja e pertenceu à Casa do Infantado, organização patrimonial da família dos reis de Portugal, criada na segunda metade do século XVII, que possuía vários domínios não só no Alentejo, mas também na Estremadura, nas Beiras, no Minho e em Trás-os-Montes. Pinho Leal, outro autor oitocentista, revela que "O deão e cabido de Évora apresentava aqui o cura, que tinha 10 quarteiros de trigo e 30 alqueires de cevada, pagos pelos freguezes."