Câmara Municipal de Beja

Santa Maria da Feira



Brasão de S.M. da Feira

 

 

A Aldeia

 

Com cerca de três mil e quinhentos habitantes, Santa Maria da Feira é uma das quatro freguesias que constituem a cidade de Beja. A sua extensão é de cerca de quinze quilómetros urbanos.

O seu património edificado é riquíssimo. O convento da Conceição, nesse aspecto, ocupa o lugar cimeiro. Foi fundado pelo Infante D. Fernando cerca de 1460, junto ao palácio chamado dos Infantes, destruído em finais do século passado. Chegou a ser o convento mais rico do Alentejo.

A igreja de Santa Maria, por seu lado, está registada na documentação oficial desde 1282. Reconstruída no século XV, conserva desse século o nartex e a abside. O interior é de três naves e com altares em talha barroca.

Ainda uma referência para o Pelourinho. Encontra-se nesta freguesia aquele que é o símbolo do poder administrativo de Beja, que ainda hoje se encontra pujante e forte.

A nível económico, Santa Maria da Feira está claramente virada para o sector secundário. Aliás, o parque industrial da cidade de Beja concentra-se na sua maioria aqui. O comércio tem também alguma importância.

 

Orago

Santa Maria

 

População

4543 habitantes

 

Actividades económicas

Indústrias de cimento; alimentar e de cartuchos; bate-chapas; mecânica; electromecânica; construção civil e material eléctrico. 

 

Património cultural e edificado

Convento da Conceição; Convento de Santo António; Igreja de Santa Maria; estátua da Rainha D. Leonor; Pelourinho; Arco das Portas de Avis; moinhos de vento e chafariz do Carmo.

 

Gastronomia

Borrego à pastora; migas e açorda à alentejana; sopa de peixe; toucinho; tomate e bacalhau; cozido de couve; feijão e grão, carnes de porco e de borrego.

 

Artesanato

Fundição em estanho.

 

Colectividades

Centro Social do Bairro da Esperança e Associação Regional de Artesãos e de Artistas de Beja (ARABE).

 

História

Integrada no concelho de Beja, a freguesia de Santa Maria da Feira é uma das quatro freguesias urbanas do concelho. Possui uma área total de 15.596 km2, integra uma parte da cidade e já, fora do perímetro urbano, uma área rural, confrontando com as seguintes freguesias: a Norte, São Matias e Nossa Senhora das Neves, a Sul, Santiago Maior e São João Baptista, a Este, Nossa Senhora das Neves e Salvador e a Oeste, Santiago Maior.

 

É difícil falar do historial de Santa Maria da Feira alheando-o do ponto de vista histórico da cidade de Beja, uma vez que, segundo se pensa, esta será a freguesia mais antiga da cidade, logo, todos os acontecimentos históricos ficaram a ela ligados.

 

Os vários estudos efectuados sobre esta freguesia tornam a sua origem envolta num vasto mistério. Convém lembrar que, sobretudo entre cristãos a árabes, houve variadas e encarniçadas lutas pelo seu domínio, em que uns se substituíram aos outros, até serem os descendentes da reconquista os definitivos Senhores das terras. O seu mais emblemático monumento, a Igreja de Santa Maria, já aparece referido em memórias datadas de 1282. Então é importante recordar que, na sua maioria, aquela Igreja era benefício da Ordem de Avis, de tal sorte que, o Freire Prior e os outros três principais beneficiários pertenciam àquela Ordem.

 

Mas, recuando aos tempos mais remotos, pode-se dizer que, já antes da fundação do Condado Portucalense a cidade de Beja teve como núcleo fundador a dita freguesia de Santa Maria da Feira, possuindo o seu próprio Bispo. O primeiro foi São Apúgio que morreu em 530. Conta ter-lhe sucedido Palmácio, no ano de 589, que fez parte do Concílio de Toledo (III). Seguiu-se Mudario, depois Adeoleto, que por sua vez, assistiu ao VIII Concílio de Toledo, no ano de 653 João foi o último, pelo menos não temos conhecimento de mais nenhum até à queda da monarquia visigótica.

 

A freguesia de Santa Maria da Feira corresponde a uma das áreas com ocupação mais antiga da cidade de Beja. Na verdade, diversos vestígios arqueológicos encontrados durante as obras efectuadas nesta zona demonstraram que foi ocupada durante a romanização, altura essa em que Beja tinha a designação de Pax Julia. Nesta área da cidade localizar-se-ia a zona residencial, com habitações que, por vezes, tinham os seus pavimentos revestidos em mosaicos, reveladores da qualidade das mesmas. Uma escavação arqueológica realizada durante obras de construção de uma edificação junto à Igreja de Santa Maria revelou vestígios dessas habitações, sobre as quais se encontraram diversas sepulturas de época medieval relacionadas com essa mesma Igreja (antes da existência de cemitérios, os enterramentos efectuavam-se no interior e em torno das Igrejas).

 

Na área rural da freguesia, situada em terrenos de elevada aptidão agrícola, foram encontrados diversos vestígios de explorações agro-pecuárias de época romana as chamadas Villae, sendo a mais conhecida a da Quinta da Suratesta, na saída para Évora, uma Villae classificada como Monumento Nacional. Nessa zona foi recolhida uma impressionante estátua romana de grandes dimensões que se encontra no Museu Regional de Évora, tendo sido para aí levada por D. Frei Manuel do Cenáculo Villas-Boas, antiquário e Bispo de Beja, que possuía uma grande colecção arqueológica que transportou consigo para a cidade de Évora quando foi arcebispo daquela cidade.