Câmara Municipal de Beja

Quintos


Brasão de Quintos

 

Armas

 

Escudo de azul, com pálio ondado de prata, carregado de pálio ondado diminuto de azul, entre roda de navalhas de ouro, com navalhas de prata, em chefe e duas gavelas de trigo de ouro, atadas de vermelho, nos flancos. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: QUINTOS - BEJA.

 

Orago: Santa Catarina

 

População: 255 habitantes

 

Atividades económicas principais: Agricultura e panificação

 

Património cultural e edificado: Igreja paroquial, fontenário de Joaquim Manuel Paulino, capela de Corte de Condessa (cujo patrono é S. Luís), fortes de Santa Isabel e de Quintos, estação de Quintos, ponte do Guadiana, vigia na Gravia dos Pisões, Fonte da Pipa, Canha da Miginha, Canha da Gavia do Meio, Fonte Santa, Fonte da Figueirinha, Fonte Mouro e Fonte Grôu. 

 

Outros locais de interesse turístico: Moinhos do Guadiana, rio Guadiana e planície Alentejana.

 

Festas e Romarias: Nossa Senhora dos Remédios (móvel, Julho/Setembro) e baile tradicional da Pinha.

 

Gastronomia: Açorda Alentejana, migas, ensopado de borrego, sopa de peixe e vinagrada.

 

Colectividades: Sociedade Recreativa e Cultural de Quintos

 

História: Situada próximo da margem esquerda de uma ribeira, afluente da ribeira de Cardeira e da margem direita do Rio Guadiana, dista da sede de concelho – Beja cerca de 15Kms. 

 

1 1 1

 

Ocupa uma área de 13 970 hectares composta pelos seguintes lugares: Broco do Meio, Corte Condessa, Monte Corvo, Monte das Patacas, Monte do Pereiro. Montes Novos, Montinho da Igreja, Pica-Milhos, Pisões e Quintos.

 

O povoamento na freguesia é muito antigo, segundo o arqueólogo Abel Viana remonta ao período do Acheulense, como atestam vários vestígios arqueológicos, situados na estação paleolitica do Seixal. 

Da transição do Neolítico para o Calcolitico, foi localizado um castro lusitano de um povoamento na herdade da Corte Condessa e segundo João Almeida em “Monumentos Militares Portugueses” :”No como do outeiro das Canas, que se levanta a cavaleiro da margem direita da ribeira do Vale da Podra, a 0,7 Kms a noroeste da sua confluência com a ribeira da Aboboreira, a 4 Kms a poente da margem direita do Guadiana, junto ao Moinho dos Bugalhos e a 19Kms, em recta a sudoeste da cidade de Beja”. Este castro mais tarde, foi aproveitado pelos romanos, para protecção de uma colónia militar de eméritas legionários. Sublinhe-se que em Quintos passava a estrada militar principal que ligava Beja a Sevilha. Partindo da freguesia em direcção a Serpa, cruzava o Guadiana no Vau de Quintos e prosseguindo de Serpa por Aldeia Nova e Vila Verde de Ficalho, passava pelo barranco da Penalva e seguia depois para Rosales de la Frontera, Aronche, Cortegana e Aracena. 

 

Mas o espólio Romano de Quintos é verdadeiramente grandioso e espalha-se pelas mais diversas herdades da freguesia. Em grande parte foi recolhido por um homem, que para além de conhecer todos os segredos da actividade agrícola, cuidava de outros segredos culturais da humanidade. Manuel da Conceição Conduto, uma individualidade ímpar na freguesia, à qual o museu de Beja deve muitos dos seus documentos romanos, entre os quais, moedas, peças de cerâmica, utensílios de mármore e capitéis. Localizou estes vestigios na herdade da Torre de Cardeira, onde pode ser admirado um grande pontão levantado sobre ruínas romanas, que tomou o nome de Moinho do Conde. No Seixal onde haviam já aparecido testemunhos arqueológicos bem mais antigos, no Monte da Gravia do Meio e no Montinho, as descobertas romanas tiveram ainda lugar, sobressaindo na chamada herdade do Montinho, uma estância balneária, que deveria ter sido muito luxuosa. Atendendo a uma informação recolhida nas Monografias Alentejanas, “Possuía vários tanques, e a água por sinal muito fina, vinha de um local a pouco mais de 2 kms do balneário. (...) É... uma finíssima água de mesa e possivelmente água especial para qualquer doença”.

Existem na freguesia, várias herdades cujo primeiro nome é Gravia. Ao que se sabe o nome advém do facto de se situarem junto à granvia romana que ligava Tavira a Rosal de la Frontera.

 

Entre os romanos e os árabes, no alvorecer do século V , avizinhadas as hordas dos vândalos, quase logo seguidas pelas dos suevos, num quadro a que se optou chamar por Beja Visigótica, concretamente na herdade de Corte Piorno, foi encontrada uma jazida arqueológica, que comprova ter sido prestado culto, por uma antiga tribo celtibérica, à celebre deusa Ateigena.

 

Mas os árabes, tiveram também uma grande importância na História da freguesia. O artista que lavrara a pedra do pórtico ogival da Igreja de Santa Catarina, se não era árabe, dispunha de modelos mocárabes, e tê-los há imitado quando construiu esse pórtico de “arco quebrado”, de meias canas e ábacos pronunciados, sendo o lintel curiosamente esculpido por arquetas trilobadas, de vaga reminiscência moçárabe, com ornatos e medalhões contendo emblemas astrais, a suástica, rosetas e pequenos símbolos salomónicos.”- Inventário Artístico de Portugal.

 

1 1 1

 

A Igreja de Santa Catarina, constitui-se como um curioso exemplar de arquitectura religiosa que reflecte os mais diversos períodos históricos atravessados pelas gentes da Freguesia. Por exemplo seguindo o estilo Manuelino, ou se quisermos, o gótico internacional, deparamos com uma verdadeira homenagem a um monarca que tanto impulsionou a Arte Portuguesa, D. Manuel.

 

Quando admiramos a belíssima capela baptismal da igreja paroquial de Quintos, podemos apreciar uma arquitectura inspirada nos modelos conimbricences do século XVI, os quais tiveram a sua raiz no tempo do Monarca D. Manuel, o qual, aliás, podemos sublinhar, viveu muito pouco tempo em Beja. Identificando o estilo manuelino nesta igreja, podem, igualmente, ser apreciadas, duas taças para água benta, em calcário regional.. Do período intenso das conturbações provocadas pelas guerras da restauração, ou seja no século XVII, a igreja, como não será de estranhar, não revela pormenores arquitectónicos dignos de grande destaque. Nesse século fora criada a Casa do Infantado, que se tornou numa das maiores instituições senhoriais do País e, à qual Quintos, segundo reza a tradição, terá ficado a dever seu nome, porque pagava aquela Casa o chamado quinto. No entanto e ainda relativamente aquela que terá sido a raiz etimológica de Quintos, corre ainda , uma outra versão, ligada ao posicionamento geográfico daquilo que é a actual freguesia. Situada em tempos antigos, no limite do território português, sendo alvo constante de ataques inimigos (os árabes) a vida local tornava-se um autêntico inferno, advindo do facto o uso da expressão de mandar para “os quintos dos infernos”alguém de quem se não gosta.

 

Retomando novamente o percurso histórico seguido pela freguesia e reflectido na arquitectura da sua igreja paroquial, impõe-se uma observação curiosa: no século XVII, não se invetio nesta edificação religiosa, impulsionou-se a construção de fortalezas. A primeira denominada de Forte de Santa Isabel, foi construída no reinado de D. João IV e, sobranceira ao Vau de Cima, no Guadiana, assegurava a travessia do mesmo rio e guardava o caminho de Serpa a Beja pela povoação de Salvada. A segunda, foi edificada a expensas do mesmo monarca, num período após a Guerra da Independência de 1640, e tomou o nome de Forte de Quintos.

 

Aproveitando as ruínas de um castro luso romano, tinha por objectivo proteger a passagem do Guadiana e guardar também ela, a estrada que vinha de Beja e prosseguia, para Serpa.

 

Avançando para o século XVIII e voltando à Igreja de Santa Catarina, é de sublinhar que no ano de 1758 era composta por quatro altares, dois colaterais e outros tantos laterais que davam pelos títulos de Nossa Senhora do Rosário, Almas, Santo Nome de Jesus e Santo António. Em 1970 apenas dois desses altares haviam subsistido, os colaterais, colocados junto à boca da capela mor, “embebidos – como se lê no Inventário Artístico de Portugal – nos arcos cegos do corpo da nave, consistindo em retábulos iguais, de entalhamento discreto, policromado, do estilo híbrido barroco-rococó, onde aparecem, indistintamente, pilastras e aletas com enrolamento, fustes salomónicos, estilizados, vieiras, palmetas e sanefas”, sendo todo este conjunto artisticamente harmonioso, obra dos últimos decénios do século XVIII.

 

Depois do seguimento deste histórico itinerário, que tomou como ponto de partida a Igreja de Santa Catarina e ainda antes de nos colocarmos em plena actualidade, urge registar-se, que a freguesia de Qintos pertenceu ao bispado e distrito administrativo de Beja e à mitra, escreve Pinho Leal, “apresentava o cura, que tinha 540 alqueires de trigo, de renda anual”.

 

Quintos, terra rodeada de herdades, algumas com muita história, como tivemos já oportunidade de observar, uma delas, relacionada, inclusivamente com as raízes da Nacionalidade. É o caso da Corte Condessa que, diz a tradição, teria sido doada a uma sobrinha, filha de Geraldo Geraldes, “O Sem Pavor”, por D. Afonso Henriques. Pertenceu por herança, à esposa de um dos mais importantes escritores clássicos portugueses, Eça de Queirós, que passou por estas terras.

 

A freguesia, foi palco de um manancial de figuras humanas que tanto contribuíram para o seu enriquecimento e progresso. Joaquim Manuel Paulino, é o nome de um homem, ao qual não podemos deixar de fazer referência. Descrito nas “Monografias Alentejanas” como o “pai da Nobreza", a ele proprietário do monte da Gravia dos Pisões, se deve a oferta da água que abastece a localidade. Ofereceu à Junta de Freguesia "uma horta, preparou duas casas, que na época, serviram de escolas e abriu os caminhos que levam da igreja à aldeia e desta à Gravia dos Pisões Do seu bolso mandou construir o fontanário ainda existente, onde se lê em lápide: Oferece Joaquim Manuel Paulino o abastecimento de água ao povo de Quintos, em 15 de Agosto de 1919.

 

Num dos anos de crise que ciclicamente assolavam o Alentejo, a casa de Joaquim Manuel Paulino, estava aberta e com a mesa sempre posta para os que necessitassem. Como agradecimento pela sua filantropia, a população de Quintos, ceifou-lhe uma grande seara, pedindo o lavrador que após a ceifa, todos se deslocassem a sua casa, para receber a merecida recompensa do trabalho, ao que responderam os ceifeiros: “nada queremos receber. Este trabalho já está pago.”

 

Sua esposa, Custódia do Sacramento Lampreia Paulino, recordava-lhe constantemente que era necessário socorrer alguém que não tinha trabalho ou estava doente.

 

A Joaquim Manuel Paulino se deve também, uma reparação da igreja paroquial de Quintos, que se encontrava em ruínas.

 

Num aspecto mais geral da realidade económica da freguesia, deve sublinhar-se o desenvolvimento predominante, da sua agricultura e da panificação, ocupando a sua diversa superfície cultivada os seguintes hectares: cultura arborícola - 10.317,4; horta - 18,1; vinha - 4,3; pomar - 65,6; olival - 220,0; cultura arborícola subjacente a olival - 220,0; cultura arborícola subjacente a azinhal - 807,4; e cultura arborícola subjacente a sobreiral - 219,5. A sua superfície florestal apresenta ainda uma extensão de cerca 2351 hectares.

 

Em termos recreativos, é de tradição realiza-se o famoso Baile da Pinha, o qual tem lugar na freguesia entre Janeiro e Fevereiro. Os estudiosos estão em crer, que se deve integrar no espírito cristão litúrgicodo domingo “Laetare”, domingo em que sensivelmente a meio da Quaresma, a igreja convidava os fiéis a porem de parte a penitência e celebrassem a alegria da antevisão da Ressurreição de Jesus na Páscoa, que se aproximava. O sentido deste Baile da Pinha, é curiosamente semelhante ao verificado no chamado “Demi-Carême” francês.